Reunião semanal do Heart Team do Ana Nery discute casos complexos

Foi realizada na manhã desta terça-feira, 26 de outubro, mais uma reunião semanal do Heart Team (Time do Coração), do Hospital Ana Nery.

Formada por equipes de cirurgiões cardíacos, anestesistas, cardiologistas clínicos, cardiologistas intervencionistas, enfermagem especializada, engenharia clínica e direção médica, o Heart Team tem como foco discutir os casos mais complexos, nos quais a decisão de intervir de forma percutânea ou cirúrgica não está clara.

Nesta terça, foram discutidos os casos de cinco mulheres entre 58 e 88 anos; além de dois homens de 55 e 71 anos.

Nas reuniões do Heart Team, cada apresentação é liderada pelo clínico líder da enfermaria, com a apresentação feita pelo residente. Todos podem opinar e, em caso de não haver consenso, o clínico líder pode conduzir de forma orientada pelos melhores interesses do paciente e sua família.

Para casos mais avançados, há a participação da equipe especializada de cuidados proporcionais e paliação.

Além disso, todas as reuniões são registradas e compõem um acervo para pesquisa e consulta de casos complexos conduzidos pelo hospital.

Confira as decisões dos casos apresentados na reunião da última semana:

Mulher de 67 anos, HAS, DM2 em uso de insulina. Histórico médico de revascularização do miocárdio (RM) há 10 anos e 02 IAM prévios. Admitida neste hospital com edema agudo de pulmão. Identificado em ECO estenose aórtica importante, fração de ejeção 58% (Teichholz) e TAPS 15. Calculado score de fragilidade como severo pelo Edmonton e EuroSCORE (mortalidade) 9,14%. A clínica líder trouxe o paciente para discussão sobre possibilidade de TVAO, levando em consideração o alto risco perioperatório.
Decisão: decidido por realizar uma angiotomografia para avaliação e discutir com a paciente sobre a possibilidade de realização de uma TAVI.

 

  • Homem de 60 anos, HAS há 10 anos, DM2 há 2 anos, DAOP, glaucoma, hipotireoidismo, acompanhamento com suspeita de sarcoidose pulmonar, artrite reumatoide, DAC triarterial grave, carótida interna esquerda ocluída e angina instável em crescendo padrão CCSIII. Transferido do HUPES com proposta de RM cirúrgica.
    Decisão: decidido de forma consensual, manter em tratamento clínico e acompanhar o paciente em ambulatório de DAC (com enfoque para lesão de TCE).

 

  • Mulher de 63 anos, DAC grave, ICFER FEVE 27% (Simpson), Infarto agudo do miocárdio sem supra de ST (IAMSSST) em 18/02/2021, hipertensão, dislipidemia, tabagismo ativo, etilista, glaucoma com amaurose à direita e sequela de tuberculose pulmonar. Cateterismo cardíaco (CATE) em 24/02/2021: TCE com lesão de 50-75% em segmento médio, ateria descendente anterior (DA) calcificada difusamente e com lesão de óstio e segmento proximal com obstrução 25-50% em segmento proximal, artéria coronária direita (CD) vaso dominante lesão proximal e médio com obstrução de 90-95%. Caso foi trazido para discussão com proposta em manter em tratamento clínico, considerando o baixo peso e alto risco pré-operatório.
    Decisão: decisão consensual definiu tratamento clínico da paciente.

 

  • Mulher de 78 anos. Hipertensa, diabética, IAM, angina estável, FEVE 65% e tabagista. Paciente internada em outra instituição, com queixa de angina típica. CATE em 01/10/2021: artéria descendente anterior (DA) com lesão obstrutiva de 99% e artéria coronária direita (CD) dominante com lesões obstrutivas 75-90%. O médico assistente solicitou angioplastia (ATC) de DA.
    Decisão: Foi decidida a ATC seriada, primeiramente DA, e após, tratamento da CD.

 

  • Homem de 60 anos, hipertenso, diabético, DAC tri arterial, Insuficiência cardíaca (IC) FEVE 18%, doença renal crônica (DRC) e com pé diabético com mal perfurante plantar à direita. Paciente encontra-se internado em outra instituição, apresentando precordialgia e lesão por pressão infectada em pé direito. Solicitado a este serviço RM cirúrgica.
    Decisão: em discussão, considerando alto risco cirúrgico, optado por manter em tratamento clínico com encaminhamento para ambulatório de doença arterial crônica (DAC) do HAN, posterior à alta hospitalar.

 

  • Homem de 62 anos, previamente hipertenso. Internado com quadro de síndrome coronariana aguda (SCA). CATE com padrão tri arterial (30/09/2021): tronco de coronária esquerda bifurcado com estenose no óstio de 50-75%, DA apresentando estenose tubular de 75% no segmento médio, circunflexa (CX) apresenta ateromatose importante com oclusão crônica no segmento proximal, estenose de 75-90% no terço proximal, leito distal da CX com lesão segmentar de 75-90% no segmento proximal e estenose focal de 90%. Está descrito em relatório que o paciente se recusa a realizar cirurgia. Trazido em discussão que o paciente possui boa anatomia para RM cirúrgica, sendo sua proposta.
    Decisão: decidido por transferir para internamento e definição de melhor conduta.

 

  • Mulher de 69 anos, IAMSSSST em 19/09/2021, RM completa em 2008, em uso de Marcapasso por bloqueio átrio ventricular de 2° grau, hipertensão, diabetes, dislipidemia, passado de acidente vascular cerebral isquêmico (AVCi) em 2007 e 2008, ex-tabagista e má aderência medicamentosa. O clínico líder afirma que não concorda com revascularização cirúrgica.
    Decisão: ATC de marginal (Mg).

 

  • Homem de 82 anos, hipertenso de difícil controle, evoluindo com DRC dialítica há 30 meses, realizou cateterismo cardíaco no dia 16/09/2021 devido quadro de angina instável evidenciando doença multiarterial grave e com anatomia complexa. No momento sem queixas cardiovasculares. Proposta para paciente de tratamento clínico, devido a alto risco cirúrgico.
    Decisão: em discussão, ficou decidido por manter o mesmo em tratamento clínico, considerando o alto risco cirúrgico e que o paciente está oligo sintomático.