Heart Team: médicos do Ana Nery discutem casos complexos de pacientes

Foi realizada na manhã desta terça-feira, 14 de dezembro, mais uma reunião semanal do Heart Team (Time do Coração), do Hospital Ana Nery.

Formada por equipes de cirurgiões cardíacos, anestesistas, cardiologistas clínicos, hemodinamicistas, enfermagem especializada, engenharia clínica e direção médica, o Heart Team tem como foco discutir os casos mais complexos, nos quais a decisão de intervir de forma percutânea ou cirúrgica não está clara.

Nesta terça, foram discutidos os casos de cinco mulheres (de 29, 57, 59, 67 e 75 anos) e três homens (de 62, 80 e 82 anos).

Nas reuniões do Heart Team, cada apresentação é liderada pelo clínico líder da enfermaria, com a apresentação feita pelo residente. Todos podem opinar e, em caso de não haver consenso, o clínico líder pode conduzir de forma orientada pelos melhores interesses do paciente e sua família.

Para casos mais avançados, há a participação da equipe especializada de cuidados proporcionais e paliação.

Além disso, todas as reuniões são registradas e compõem um acervo para pesquisa e consulta de casos complexos conduzidos pelo hospital.

Confira as decisões dos casos apresentados na reunião anterior:

  • Mulher de 57 anos, hipertensa e diabética insulino requerente. Instituição de origem fez pedido de regulação para avaliação cirúrgica.
    Decisão da equipe: Com diagnóstico de Síndrome coronariana aguda (SCA) em outubro de 2021 – CATE com padrão triarterial; lesão proximal de DA e médio-distal com leito distal fino, porém passível de anastomose de MIE>DA, sendo optado por cirurgia de RM.
  • Mulher de 60 anos, hipertensa, ex-tabagista, diabética, dislipidêmica, com sobrepeso. Em outubro teve um evento isquêmico, sendo diagnosticada com infarto agudo do miocárdio sem supra desnível do segmento ST (IAMSSST), cateterismo (CATE) com padrão multiarterial apresentando lesão grave de descendente anterior (DA) proximal/ Diagonalis (Dg) / Marginal (Mg) de circunflexa (CX) / lesão em TM e PT. Regulada para esta unidade para definição de conduta de tratamento de doença coronariana. Evoluiu durante a madrugada de 07/12/2021 com angina e alteração dinâmica de eletrocardiograma (ECG) (supra de aVR e infra difuso), feito novo CATE para reestudo, mantendo mesmo padrão coronariano, lesões da DA segmentares.
    Decisão da equipe: Após discussão e avaliação, decidido por seguir com proposta do clínico líder, de cirurgia de revascularização do miocárdio (RM) com brevidade.
  • Homem de 33 anos, hipertenso, fibrilação atrial (FA), passado de troca valvar mitral (TVM) bioprótese em 2012 e tratamento endovascular de Coactação de Aorta em 2020. Evoluiu com disfunção biventricular com FEVE 23%; na ocasião foi identificado coarctação de aorta grave associado a valva aórtica bicúspide (esta sem disfunção valvar); optado por tratamento endovascular, sendo submetido a correção endovascular de coarctação de aorta (02/10/2020), vem evoluindo com recuperação parcial da função do VE (FE 18>23>40%), porém evoluindo com disfunção da bioprótese do tipo estenose e insuficiência aórtica moderada com insuficiência de tricúspide grave com falha de coaptação, mantendo hipertensão pulmonar com disfunção grave de ventrículo direito (VD) e clínica sugestiva de IC direita.
    Decisão da equipe: Caso apresentado com proposta cirúrgica. Paciente com risco cirúrgico elevado, porém diante da recuperação progressiva da função do ventrículo esquerdo (VE), optado por seguir com cirurgia de re-troca de valva mitral (ReTVM) + troca de valva aórtica (TVAo); avaliar plastia de tricúspide no intra-operatório (paciente com plastia prévia).
  • Homem de 76 anos, com passado de TVAo bioprotese em 2013, submetido a plastia aórtica (?) em 2014, evoluindo com dispneia e disfunção de prótese do tipo insuficiência e IM moderada a grave (secundária), com indicação de ReTVAo. Reavaliado pela Pneumologia, não tolerou realização de espirometria, porém TC de tórax sem evidência de enfisema importante. Previamente discutido em Heart Team, sendo optado por seguir com cirurgia, porém após internamento, paciente evoluindo com perda de performance status, disfunção renal associada (Clarence de creatinina estimado 30ml/min).
    Decisão da equipe: Clínicos lideres iniciaram a discussão, tendo como proposta manter o paciente em tratamento clínico. Diante do quadro atual, tratando-se de segunda reoperação em paciente com as multimorbidades citadas, sendo rediscutido e optado por tratamento conservador.
  • Homem de 58 anos, hipertenso, com início de sintoma de dor precordial em 02/12/2021, quando foi evidenciado supra de parede anterolateral sendo diagnosticado com IAMCSST. Encaminhado para esta instituição para ATC primária através de protocolo IAM após trombólise com tenectaplase. Realizado ATC de DA com 1 stent.
    Decisão da equipe: Clínicos líderes apresentam caso, tendo como proposta avaliar tratamento percutâneo para lesões residuais, realizando tratamento com ATC em CD e mantendo Cx em tratamento clínico. Decisão consensual de manter proposta sugerida.
  • Homem de 79 anos, com diagnóstico de mieloma múltiplo há 01 ano por fratura patológica. Apresentou IAMSSST em 22 de novembro de 2021, transferido para esta instituição para CATE, realizado em 02/12/2021 com padrão triarterial: CD dominante, calcificada, com lesão de 50% no terço proximal, ramo descendente posterior com lesão segmentar calcificada de 70% no terço médio. TCE bifurcado, apresenta lesão calcificada de 95% no terço distal. DA apresenta lesão de 90% na origem e ocluída no terço médio. CX apresenta lesão de 80% no terço proximal e com ateromatose difusa grave no terço distal. 1° marginal (Mg) de fino calibre, bifurcado, com lesão de 80% no terço proximal de um de seus subramos e lesão de 100% no terço proximal do outro subramo. 2° Mg de moderado calibre com lesão de 60/70% no terço proximal. Circulação colateral grau I (Rentrop) da CD para DA. FEVE 51% (05/05/2021). Hemodinâmica estável, dor lombar, assintomático.
    Decisão da equipe: Clínico líder apresenta caso como proposta de tratamento percutâneo. Em discussão através da avaliação do CATE, concluído que caso é desfavorável para tratamento percutâneo e leitos distais desfavoráveis para tratamento cirúrgico, sendo optado por tratamento conservador.
  • Mulher de 44 anos, paciente do ambulatório do HUPES, com diagnóstico de valvopatia reumática, insuficiência tricúspede importante, VD com PSAP 170mmHg, VD com disfunção leve à moderada, FEVE 80%.
    Decisão da equipe: Encaminhada para discussão com proposta cirúrgica. Decidido por tratamento cirúrgico.
  • Homem de 73 anos, com estenose aórtica. Atualmente apresentando dispnéia aos mínimos esforços. CATE em 25/11/2021: TCE bifurcado e calcificado com lesão obstrutiva de 50% no óstio. DA ultrapassa o “apex cordis” com irregularidades parietais. CX atinge o terço médio do sulco A-V posterior, com irregularidades parietais. CD coronária direita dominante, irriga parte da parede posterior do ventrículo esquerdo, com irregularidades parietais. Realizou TC de tórax com pontos de calcificação na aorta ascendente, porém com local possível para clampeamento da aorta. Dr. Amoreti complementa discussão afirmando que há muita calcificação, o que poderá dificultar o tratamento cirúrgico e tornando o procedimento de alto risco cirúrgico. Em contrapartida, Dr. Jackson afirma que o caso é difícil por conta da calcificação, porém se o paciente for ígido e estiver hemodinamicamente estável, é possível realizar o procedimento sendo discutido e exposto ao paciente o risco.
    Decisão da equipe: Proposta inicial de tratamento percutâneo Decisão colegiada consensual de discutir com paciente e familiar risco de AVC no periprocedimento, caso concordantes com o procedimento, seguir com TVAo e RM.
  • Homem de 38 anos, internado em Euclides da Cunha com diagnóstico de IAMCSST anterior recente – solicitada regulação para ATC. Realizou CATE no HAN em 03/12/2021: com lesão 95% em DA ostial/proximal. DA apresenta lesão de 95% no terço proximal e ponte miocárdica no terço médio. Coronárias com padrão de lesão uniarterial.
    Decisão da equipe: Apesar de lesão uniarterial, envolveria TCE distal em paciente jovem de baixo risco cirúrgico; optado por cirurgia de RM.
  • Mulher de 81 anos, hipertensa, com quadro de SCA em julho/2021 – realizou CATE em 31/10/2021: DA com calcificação em 1/3 proximal, lesão de 95% após, 1° Diagonal e lesão de imediatamente antes da emergência do Segundo Diagonal, ambas em 1/3 médio, 1° Diagonal de grande importância com lesão de 95% na origem, 1° Mg de grande importância com lesão de 50 a 75% (excêntrica) em 1/3 médio. CATE com lesão grave de DA, porém com calcificação acentuada, desfavorável para tratamento percutâneo.
    Decisão da equipe: Avaliado pedido de ATC, porém optado por reavaliação ambulatorial com perspectiva de manter em tratamento clínico diante da limitação para tratamento percutâneo e elevado risco cirúrgico.