Heart Team do Ana Nery discute casos complexos de pacientes

Foi realizada na manhã desta terça-feira, 21 de dezembro, mais uma reunião semanal do Heart Team (Time do Coração), do Hospital Ana Nery.

Formada por equipes de cirurgiões cardíacos, anestesistas, cardiologistas clínicos, hemodinamicistas, enfermagem especializada, engenharia clínica e direção médica, o Heart Team tem como foco discutir os casos mais complexos, nos quais a decisão de intervir de forma percutânea ou cirúrgica não está clara.

Nesta terça, foram discutidos os casos de três mulheres (de 35, 51 e 67 anos) e dois homens de 72 anos.

Nas reuniões do Heart Team, cada apresentação é liderada pelo clínico líder da enfermaria, com a apresentação feita pelo residente. Todos podem opinar e, em caso de não haver consenso, o clínico líder pode conduzir de forma orientada pelos melhores interesses do paciente e sua família.

Para casos mais avançados, há a participação da equipe especializada de cuidados proporcionais e paliação.

Além disso, todas as reuniões são registradas e compõem um acervo para pesquisa e consulta de casos complexos conduzidos pelo hospital.

Confira as decisões dos casos apresentados na reunião anterior:

  • Homem de 80 anos, hipertenso, pré-diabético, doença renal crônica (DRC) não-dialítico, provável DPOC (tabagista importante com enfisema na TC), diagnóstico de IAM em 07/12/2021. Cateterismo (CATE) em 11/12/2021 com padrão triarterial:  Artéria coronária direita (CD) com lesão de 95% no terço distal. Descendente posterior fino com lesão de 70% no terço proximal. Tronco de coronária esquerda (TCE) bifurcado, apresenta lesão de 50/60% no terço proximal. Artéria Circunflexa (CX) apresenta lesão segmentar e calcificada de 95% na origem e no terço proximal. Primeiro marginal (Mg), de grande importância, com lesão calcificada de 90% no terço proximal e lesão de 70% no terço médio. Eco com FE 30%.
    Decisão da equipe: Diante da fragilidade e risco cirúrgico elevado e anatomia desfavorável para intervenção percutânea, optado por tratamento clínico otimizado.
  • Homem de 82 anos, hipertenso, portador de diabetes mellitus não insulino-dependene há > 20 anos (possível neuropatia periférica), portador de deformidades em mão direita e pé esquerdo após trauma na infância. Reside em São Felipe e foi a unidade de emergência de sua cidade de origem por dispnéia tendo demandado suporte de O2 temporariamente com FEVE 47%, após síndrome coronariana aguda (SCA). Veio para o HAN para realização de angioplastia (ATC). FE 47% e hipocinesia difusa.  Realizado cateterismo cardíaco que evidenciou lesão importante em DA proximal, segmentar e calcificada e lesão em grande ramo marginal.
    Decisão da equipe: Devido ao risco cirúrgico elevado, optado por ATC da lesão da DA ostial e manter as demais em conservador.
  • Mulher de 59 anos, com IAM CSST inferior, submetido a ATC primária de Cx; CATE apresenta ainda lesão grave de 1/3 proximal de CD e de 1/3 médio de DA. Eco com dilatação de VE e FE (S) 18% com hipocinesia difusa, mais acentuada na parede inferior e lateral.
    Decisão da equipe: Devido ao risco cirúrgico elevado devido a disfunção do VE e a lesão da DA médio-distal, optado por manter demais lesões em tratamento clínico otimizado. Reavaliar ATC de lesão de CD em segundo momento.
  • Homem de 62 anos, hipertenso, com descrição em laudo para solicitação de pedido ambulatorial com diagnóstico de angina instável e IAM inferior. Paciente com solicitação externa de ATC na rede ambulatorial. CATE com padrão triarterial.
    Decisão da equipe: Diante de exposição de CATE e discussão, decidido por realizar tratamento cirúrgico de revascularização miocárdica (RM), iniciando o processo a partir da programação consulta no ambulatório de pré-operatório.
  • Mulher de 75 anos, hipertensa, diabética e dislipidêmica, com antecedente de IAM prévio não estratificada na época há 25 ano com quadro de angina instável recente. Realizou CATE no dia 05/12/2021 com lesão de TCE ostial e distal, lesão grave de DA, Mg e CD. STS Score: Mortalidade: 1.540% / Morbimortalidade: 9.878%. Euroscore II: Mortalidade: 2.21 %. Inicialmente optado por tratamento cirúrgico, porém paciente recusa-se a cirurgia, apesar de clínico líder e equipe responsável pelos seus cuidados já ter conversado com ela sobre a necessidade de realização do procedimento, sendo então caso apresentado para avaliar possibilidade de tratamento percutâneo.
    Decisão da equipe: Dr. Cristiano, hemodinamicista, avalia anatomia como desfavorável para tratamento percutâneo. Cirurgião conversará com a paciente, caso a mesma mantenha a decisão, permanecerá em tratamento clínico otimizado.
  • Mulher de 29 anos, passado de acidente vascular encefálico isquêmico (AVEI) (com sequela motora à esquerda), cardiopatia reumática, com passado de TVM bioprotese (2014), evoluindo com disfunção da bioprotese do tipo estenose (AV 0.8mm²; gradiente médio de 28mmHg) e IT grave com dilatação do anel, além de disfunção de VD (FAC 20%) – PSAP 132mmHg,  disfunção de ventrículo direito – TAPSE 13 mm e S’tricuspide 8,5; FAC 20%.
    Decisão da equipe: Proposta inicial de tratamento cirúrgico. Apesar de risco cirúrgico elevado pela hipertensão pulmonar suprassistêmica, optado por seguir com cirurgia de ReTVM.
  • Mulher de 67 anos, hipertensa e diabética. Internada em outra instituição, realizou amputação de pododáctilo. Evolui com edema agudo de pulmão, com troponina positiva. Realizado cateterismo com evidência de DAC triarterial. Paciente em avaliação para realização de amputação transpatelar. Atualmente está com cicatriz de primeira amputação com difícil cicatrização.
    Decisão da equipe: Em discussão, visto que não é factível para tratamento percutâneo ou cirúrgico. Decidido por orientar hospital solicitante quanto a conduta.
  • Mulher de 57 anos, sexo feminino, com diagnóstico de IAMSSST em setembro deste ano. Realizou CATE no HAN em 21/09/2021, apresentando padrão triarterial, sendo lesão de DA subocluída. Apresenta quadro de colestase com elevação de FA, GGT e hepatomegalia a custa de lobo direito no USG abdome. Avaliada pela gastrohepatologia com indicação de investigação após abordagem da coronária.
    Decisão da equipe: Optado por seguir com cirurgia de RM e posterior investigação do quadro hepática.