Carinho da família ajuda recuperação de pacientes na UTI

A felicidade podia ser vista estampada no rosto de Milton, empresário de 38 anos que se submeteu a uma cirurgia para implantar quatro pontes de safena no último dia 15 de julho, no Serviço de Cirurgia Cardiovascular do Hospital Ana Nery (HAN). Dois dias depois, no leito de uma das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) do hospital, ele recebeu o carinho da família em uma visita virtual da mulher e das três filhas, possível através de videochamada de um aplicativo de celular.

Milton recebe o carinho virtual da mulher e das três filhas.

Além de feliz em poder conversar com o marido, Elizabeth estava com o coração aliviado por vê-lo tão bem depois de um procedimento de alta complexidade. “Mesmo confiando no relatório do médico, que é passado todos os dias, poder ver meu marido me deixou muito mais tranquila. Essa é uma iniciativa muito positiva e ajuda o paciente a se recuperar mais rápido, trazendo conforto também para a família”, declarou.

Coordenador da UTI Cardiovascular do HAN dando alta ao paciente menos de 48h depois da cirurgia.

E os resultados dessa história que acabamos de contar são sentidos pela equipe de saúde que cuida desses pacientes. Dr. Diogo Azevedo, coordenador da UTI Cardiovascular do HAN, chama a atenção para os pacientes que apresentam algum critério de ansiedade e têm uma dificuldade maior de adesão terapêutica. “Com a videochamada, tanto o paciente quanto a família ficam super tranquilos. Isso nos permite um tratamento e uma adesão muito melhor por parte do paciente, uma compreensão muito boa por parte da família e isso tem implicação, inclusive, na alta precoce. Há uma reabilitação superior quando a família e o paciente estão engajados nisso”, explica.
Essa constatação é ratificada pela psicóloga do HAN, Aline Bastos. Segundo ela, o fato de estar isolado, muitas vezes, gera repercussões emocionais para o paciente, como ansiedade, por exemplo. A videochamada chega como uma ferramenta para ajudar a superar esse quadro. “O ser humano é um todo. O corpo caminha junto com o psíquico. Se a gente cuida do psíquico, logo esse corpo pode responder muito melhor. Com toda certeza o resultado é positivo na recuperação desse paciente”, analisa.

Plástico de proteção no celular, capa e luva nos profissionais protegem o paciente.

Em virtude da pandemia do Covid-19, visitas para pacientes internados nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) do HAN estão suspensas. Diante desse contexto, o Serviço de Psicologia Hospitalar teve a iniciativa de viabilizar visitas virtuais por videochamadas para minimizar a distância dos pacientes com familiares, e, consequentemente, minimizar as repercussões psíquicas causadas pelo isolamento.
Esse projeto surgiu da importância de haver uma adaptação diante desse novo cenário, com o objetivo de humanizar o cuidado ao paciente e com a família. Assim, a tecnologia tem sido usada para proporcionar a troca de afeto, possibilitando a organização da vida extramuros do hospital e favorecendo a reorganização das emoções, contribuindo para o enfrentamento do adoecimento/internamento.
A visita virtual no HAN iniciou em abril de 2020 e ocorre com pacientes lúcidos, por meio do celular, duas vezes na semana em cada unidade intensiva. Todos os cuidados são tomados para proteger pacientes e profissionais. É colocado um plástico de proteção no celular, que é higienizado a cada chamada. O profissional de psicologia utiliza capa de proteção e luva.